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terça-feira, 20 de outubro de 2015

Dia do poeta


Hoje é dia do poeta,
alguém disse,
mas ontem também foi,
se você visse
aquele céu me dizendo oi

Me sorria aboborando
anunciando a aurora
de um novo dia perfeito
para uma poesia conceito
fora de hora.

Agora,
agradeço mesmo assim
o salve enviado a mim
e aos que disseram sim
a sina de amanhecer
imerso nesse universo
de invenções sem fim

que não se podem ver
com o coração fechado
pras palavras artesãs
que rimam manhãs
com o céu que tiver.

O amanhã, ainda na gaveta
(acredite se quiser),
também há de ser
dia do poeta.

(Foto: Muriel Xavier)

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Infelizmente

É que eu e meus colegas 
ourives
temos esse poder 
imprestável
de embelezar o invisível.

Um ofício passível de não agradar.

Ainda sim fotografamos
desenhamos e escrevemos
a fim de eternizar
toda poesia que resiste
ao veneno que persiste
destruindo poesias boas.

E eu entendo as pessoas
como você
que não gostam
de versos tristes.

Eu também gostaria
que eles não existissem.

São chocantes demais 
para expor na estante
mas infelizmente,
existem aos montes.

As vejo e ouço 
pois meu coração nunca aprendeu 
a se esconder no bolso 
como convém
quando essas poesias vem.

E sabemos muito bem
que elas nos veem também.

Como aquele homem 
ao lado do filho
entre o sol e o asfalto em brasa
que fugiu do gatilho
para o farol
da esquina da sua casa.

O viu?

terça-feira, 26 de maio de 2015

Não perturbe!

Poucos respeitam
a necessidade de descansar
(in)determinado tempo
trancado
no quarto do silêncio.

A maioria, 
sem intenção de entrar,
nem de incomodar,
vêm bater à porta
(com mãos de Alfaia)
querendo que você saia, 
a contragosto,
vestindo um sorriso
que, ninguém sabe,
já não mais te serve.

Deixei um aviso 
de “Não perturbe!”
em meu rosto, 
observe.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Sem assunto

Eu convido o mundo
para conversar sobre amor
e ele fica mudo,
com cara de tacho…

Não tem muito o que falar,
eu acho.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

(h)a vida em mim



meu corpo virou rio
para meu peixe navegar
um coração vibrando no peito
outro vivendo no ventre

és fruto da mais bela
semente que já cultivei
te sinto germinar

a cada movimento seu
ocupando espaços meu
encho-me de mais amor

és poesia em mim
socos que fazem sorrir
chutes que acariciam a pele

lindo sonho sem fim
imagino seus olhos
desenho seu rosto

pequeno pedaço de vida
infinita construção de sentimentos
magnitude obra da natureza

te espero o tanto que te quero
enquanto te guardo por dentro

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Então tá então...

Nos cumprimentamos
com um beijo no rosto
sem gosto e habitual
ao tipo de casal sem sal
que nos tornamos.

Acreditava piamente
que a gente ficaria junto
infelizes para sempre
até virarmos presunto.

Mas algo tinha acontecido
ou estava acontecendo
em nosso amor falido.

O prazo tinha vencido
e eu não tinha notado
o cheiro de estragado
em nossa paz amarela.

Mas paciência dela
apitava a panela de pressão
que cozinhava nossa relação,
então, ela preparou o enterro.

Começou dizendo
que a verdade é um erro,
que queria nossa felicidade,
e que aprendeu muito comigo,
que sou companheiro, amigo,
engraçado, interessante,
descolado, inteligente,
simpático, bonito, 
gentil, carinhoso, gostoso 
e um monte de outras coisas 
anormais e legais, 
em seguida,
disse que não me queria mais...

Eu fiquei mudo...
Foram longos segundos
ruminando a mensagem...

Também aprendi muito.

Decidi acreditar em tudo
e sair com alguma vantagem.

Agradeci e segui viagem.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Humáquinas

Pedestre,
dê Preferência à Vida
dê o sinal para sua
olhe para os dois lados
direito 
é seu dever!

Use sua faixa
se não quiser morrer 
num esbarro.

No trânsito
somos todos carros.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Ao Manoel

Manoel não ligava o carro
desligava com os pés no barro
onde cultivava inutilidades 
e verdades inventadas 
enxergando o tamanho do nada 
venerando a beleza 
no rebanho das pequenezas 
que a vida apresentava, 
quase cem anos vivera 
e numa primavera 
se fora sem certezas 
como flora
fundiu-se a natureza 
cumpriu sua meta, 
bom descanso poeta.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Qual é teu lado?

Nesse exato momento
há uma guerra acontecendo
mas o que estão vendendo
é o duplipensamento.

Qual país você vê
o que passa nas ruas
ou o que passa na TV?

Qual país você idealiza,
um que olhe por todos
ou um que se individualiza?

E qual país você planta,
o que multiplica a conta
ou o que divide a janta?

Qual pais tu pratica,
o que combate o racismo
ou o que reproduz a prática?

Com que lado tu fecha
o que dispara as bombas
ou o que atira as flechas?

Em qual país você mora,
o que não teme a rua
ou o que não pisa lá fora?

A guerra vai te atingir
bem na hora da novela
mas não irão transmitir
pela sua Telatela.

Por quem você vai lutar?
vai se esconder
ou vai se armar?

Pelo que você reza,
para acabar com a miséria
ou alcançar a riqueza?

Em qual país você vive,
o que está em ascensão
ou o que está em declive?

Qual país é mais seguro
o que garante o futuro
ou o que se cerca de muros?

Você está se entretendo
comprando gato por lebre
que estão te vendendo
em pleno horário nobre.

Está por quem afinal?
Vai desligar a TV
ou só mudar de canal?

A guerra está acontecendo
e só tá morrendo pobre
enquanto seguirem escondendo
eu sigo escrevendo sobre.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Alckmin

Ao que me consta
não está por nós.

Ao que me consta
nunca deu voz
nem ouvidos.

Ao que me consta
dá de ombros.

Ao que me consta
perde-se a conta
dos rombos e dos tombos
entre o trem e a plataforma
da estação da sé.

Ao que me consta
a imprensa tem cotas
para o que realmente importa:
verdades que veem tortas
em notas de rodapé.

Ao que me consta
pagamos as contas
de todas as promessas
prontas
para virarem escombros.

Ao que me consta,
a serviço do facho,
está, como os pombos,
cagando 
pra quem está em baixo.

Ao que me consta
é quem financia
como forma de escudo
a polícia
que mais mata no mundo.

Ao que me consta
estamos há 20 anos
nos bicos dos tucanos
comprando o enredo
dessa política do medo
que tanta gente enterrou.

Ao que me consta
o Alckmin nunca constou.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

1+1= 1


Isso é sim
mais um poema de amor...

Porque quando a gente ama
falta outro tema,
a gente esquece até que tem problema
só pra fazer o outro sorrir.

Torna-se uma agonia
essa quentura aqui dentro,
que dá saudades em segundos
e felicidade pra vida toda.

É odiar clichês e frases bobas,
mas saber que encontrou
sua metade da laranja
ou a tampa da panela.

Parei de aguar os olhos
por dor que dói de machucar...

Amor dói de cheio,
de não caber em um só corpo
Transborda dos olhos,
na leveza da pele
ou no sorriso grande,
estampado na cara.

Não é posse, é pertencer
ensinou o poeta.
É sentir-se parte (luz)
é confusão.

É odiar de bem-querer,
é não suportar os seus defeitos
e nem tentar mudá-los.

Este coração que aqui sangra,
não mais reclama da vida.
As lágrimas que derrama 
são de alegrias,
inda que guarde algumas feridas.

Conscientemente 
deixamos de ser menos eus
e mais nós,
pelos nós de braços laços,
pelas histórias agora única,
pelos sonhos compartilhados
e pelo todo ainda não vivido.

De amor se vive,
se morre e se ama.

O impossível é pouco.

Não tenho nem 1,50
e você cabe inteiro
dentro do meu peito.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Reciprocidade

- O que é reciprocidade pai?
- O mesmo que utopia filho.
- E o que é utopia pai?
- O amor.
- Humm. Então quando eu crescer quero reciprocidade.
- Eu também filho, porém, é mais fácil cultivar utopias enquanto criança.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Ítolo

Traços e disciplina oriental.
Um composto de poesia orgânica
revestido de engenharia mecânica,
curtido no amor maternal.

Sua estatura esconde
seu verdadeiro tamanho
para em meio ao rebanho,
que aceita qualquer resposta,
seguir na direção oposta
(mas nunca lhes dá as costas).

Respeita todos os caminhos,
acompanha de perto, 
de carrinho, mostrando o certo
servindo alguns conselhos
sem se por como um espelho,
um bom irmão mais velho.

Sabe que pode chorar
(suas lágrimas talvez não).

Pra ninguém passa pano,
mas aos verdadeiros manos,
mesmo ciente que pode se queimar,
é capaz de estender a mão,
só para que não passe em vão
uma oportunidade de ajudar.

Costuma enxergar além
e consegue expressar tão bem
o que não conseguiu guardar
que meus versos ficam aquém 
do que já nem tento explicar.
Suas palavras são minhas também,
as canto enquanto a sonhar.

Com a mecânica de precisão
contra a inércia e a apatia
mostrou-me a engenharia da revolução 
cantada com o coração,
a qual fazemos Apologia.

Em muito lhe imitei,
logo, alguma culpa ele tem
se me tornei esse alguém 
que já nem sei quem.

Mas sigo sendo,
juntos, acontecendo,
plantando essa amizade 
e também colhendo.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

domingo, 13 de julho de 2014

Revista à VEJA

Caros Amigos, 
Brasileiros,
escrevo essa Carta Capital
em Língua Portuguesa
auxilado pela Literatura,
para denunciar a VEJA,
que desde outras Épocas,
em tempos d’O Cruzeiro,
deturpa a Realidade.

Faça um Exame,
com o devido Capricho,
perceberá, ela não está Contigo.
A História prova,
apoiou a ditadura 
(essa não é Nova).

Pregam a Boa Forma
que aprisiona a mulher
no mundo de Marie Claire,
e o homem no das Quatro Rodas.

Não se incomoda
com a paixão de Cláudia.

Nunca sua editora Abril o bico
(nem abrirá)
para criticar os Playboy.

Representa o interesse dos VIP,
Isto é, O Empreiteiro 
e os empresários
da Arquitetura & Construção,
que sugam a população
mas negam Casa e Comida.

Transforma Você em S/A
vendendo Tititi
como algo Super Interessante.

Por trás da imparcialidade fictícia
três anunciantes para cada notícia.

Não tem vergonha na Caras.


quinta-feira, 10 de julho de 2014

sexta-feira, 20 de junho de 2014

De bate pronto

Quem foi melhor,
pergunta o televisor,
Raí ou Sócrates?

Talvez Aristóteles
pudesse resolver
o problema desse poema
caroço
entalado em minha garganta.

Será que ele teria a resposta?
De bate pronto, eu não tenho,
então me sento de costas,
mas finjo que me entretenho
para não chamar atenção.

A questão é que todo almoço
é o mesmo alvoroço
em qualquer restaurante que se preze,
não há um dia que reveze
e não adianta se esquivar.

Tentei inúmeras vezes
e por mais que eu me enfeze,
a pergunta ainda fica no ar:
Quem é o melhor,
Messi ou Neymar?

Se digo que não sei,
sou chamado de gay,
se digo que não me importa
dizem que não sou patriota.

E realmente não sou,
mas me faço de idiota,
fisgado pelo anzol,
fico ruminando em bemol
essa importante questão.

Querem minha opinião
ou minha alienação?

Segundos depois
 uma nova preocupação:
prefere qual seleção,
a de 70 ou de 82?

Prefiro um pouco de arroz
e uma porção de batata,
mas sinto que essa dúvida consome
mais até do que a fome
que mata
os que morrem de frio.

E assim é em todo Brasil,
faça chuva, faça sol,
a realidade de nossas vidas,
inexoravelmente é esquecida
em debates sobre partidas de futebol.

Comentários baratos
norteiam programas machistas
onde ex-jogadores e comentaristas
se mostram especialistas em boatos  
e polêmicas moralistas
que escondem a realidade
e impedem que a verdade
saia de vez do armário.

Eles tem o poder,
jogam sem adversários,
mas tudo que querem saber
é quem foi melhor:
Ronaldo ou Romário?

Difícil responder
a essa questão acadêmica
e profunda.

Enquanto isso,
a propaganda endêmica
toma o lugar da redonda,
que vira piada
daquelas bem engraçadas,
para quem está do lado de lá da tela.

Do lado de cá, na goela
um teco de carne de segunda
passada
com suco de arroz e feijão
descem como um riacho seco
garganta abaixo
para morrer no vão do estomago,
âmago de todo problema.

Esse sistema digere
nosso poder de contestar
fazendo-nos inverter
o que deveríamos priorizar.

Quem é capaz de enxergar
e romper a aliança
com seu time que acaba de ganhar
e assumir a liderança?

Sumiram com a minha esperança
naquela paixão nacional
incutida, em mim, na infância
como herança patriarcal.

Todo o amor que eu tinha
passou a enxergar bem
e notou que dentro das quatro linhas
ninguém mais enfrenta ninguém.

São todos do mesmo time,
no mesmo crime
da bola,
orquestrado pelos cartolas.

Vestem o manto da elite
e querem que a gente acredite
torcer para o maior do planeta,
(e outras mentiras mais),
e assim vendem suas camisetas
cm logomarcas do capeta
por apenas 200 reais.

O sonho do jogador
desse futebol moderno 
não é mais com a seleção.  
Desejam vestir um terno 
e trabalhar na televisão.

Enquanto no Brasileirão,
jogam de olho na Europa,
afinal, de lá sairão
nossos representantes na Copa.

Como num filme repetido
esse produto divertido
nos mantém entretidos
nos mesmos debates batidos,
desde a TV sem cor.

Mas poderia ser pior,
apesar de estarmos na lona,
não considero um mal resultado
vivendo sob o reinado
de Pelé e do Maradona.

Um dia a verdade vem à tona,
até lá, seguimos na zona
contabilizando vexames,
assistindo programas infames
e discutindo quem foi melhor:
Zico ou Zidane?

Eu e você que se dane!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Falta de Educação do Brasil

A Falta de Educação do Brasil
mandou para puta que o pariu
o prefeito e o governador 
e para o inferno
a presidente da república.

Antes da morte súbita,
voltou a portar um caderno
e freqüentar a escola pública.

“É tudo uns puto!
Come da nossa dor,
colhe do nosso suor,
e some com todo os fruto!
A vida inteira que eu luto 
pra ser alguém nesse mundo de ninguém,
mas na lavra, no farol,
sem conhecer as palavra, 
debaixo de sol, nós num é nada, 
eles dão risada!”

Uma fera, cansada.

Nadava com algemas
contra maré de um sistema
que há centenas de anos prospera.

O problema é que não dava mais pé
a fila da espera da ajuda de boa fé.

Em tempo tomou essa decisão
de voltar para sala de aula,
que apesar lembrar uma jaula,
ainda é melhor que a prisão.

Sabe que terá trabalho 
para reescrever seu futuro,
mas mandou para o caralho
quem a queria cercada de muros.

Garante que vai adiante
e que não haverá empecilho
que a faça voltar pro gatilho.

Sua aposta é seu filho
que sonha ser engenheiro.
Seu dinheiro começou a poupar,
para ele poder estudar 
em escolar particular.

Mas até lá ainda tem chão
e muita lição pra aprender.

Por ora, então,
a seu modo de ser,
sem meio termo,
manda um recado ao governo:

- Vocês ainda vão se foder!

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Ao mar, você

Chega a ser leviano
esse desejo 
cotidiano
de, ao mar, 
afogar meu desengano
nas profundezas da beleza 
do seu oceano.