segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Cedilha

Estou no espaço 
No fim do começo 
No balanço do mar 
No coração a amar 
No primeiro tropeço 

Estou no pedaço 
Na sedução do olhar 
Na fumaça que lança 
No ar a esperança 
Da criança a brincar 

Estou no soluço que passa 
No gole da taça 
Na alça que cai da moça que dança 
E cede no pescoço, o açúcar, o gosto 
Ao beiço do moço. 

Estou na maçã 
No bagaço que resta 
No almoço que sobra 
Na paçoca da festa 

Estou na roça 
Da nossa raça 
No corpo que roça 
Na força do abraço 
No braço que enrosca 
Na volta do laço 

Sou parte da perfeição 
Estou na solução 
Na falta de educação 
Não na massa, na massificação. 

Estou em qualquer ação 
Suplente do ‘S’ e do ‘C’ na redação 
Tenho certa colocação, 
Antes do ‘E’ e do ‘I’, não há aplicação 
Palavras também não começo 
Dou vida à contradição 
Não no excesso, na exceção. 

Sem própria sonorização 
Nem no alfabeto apareço 
Desconheço minha função
Aos confusos o meu apreço 
Pois o desuso é minha maldição.

3 comentários:

  1. Já te disse e repito, ficou perfeita. Um viva ao cedilha!

    bjs

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  2. Vindo de vc, que é formada em letras, é mais que um elogio, uma honra... Valeu Mandinha!

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