Mostrando postagens com marcador machismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador machismo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Abusada





Não, eu não odeio os homens 
Sou casada com um,
irmã de dois
e descendente de muitos
Só que nenhum deles pôde evitar
ou me proteger,
dos assédios, passadas de mão
Cantadas baixas e olhares de fome,
sob meu corpo carne.

Foi um homem que apertou a minha bunda
enquanto caminhava na rua,
aos doze anos, sequer tinha beijado na boca
e já o seduzi com a minha roupa
Pensei que a culpa fora minha,
quem mandou estar ali, sozinha?

Eu senti medo quando no ônibus
um cara sentou-se ao meu lado
para alisar as minhas coxas,
Eu quis gritar, mas só consegui chorar
e rezar, para que ele descesse logo

Eu não odeio os homens,
mas muitos dos que me entreguei
Tornaram-me descartável
Saciaram suas vontades
e depois me largaram

Mulher é objeto, de desejo
um tapinha não dói!
Tirar uma casquinha,
um abraço apertado,
uma encoxadinha básica
O tesão é insaciável
Pra que se sentir culpado?

Outrora fora cultural, 
aprenderam assim:
Exerça sua virilidade,
coce o saco e mostre sua masculinidade
não pegue numa vassoura,
cozinha é lugar das moças!

Enquanto me ensinavam
que devia me proteger: 
feche as pernas,
não use roupas curtas,
Dê-se o respeito
e quando for desrespeitada,
o melhor é ficar calada

Acabou a era do silêncio,
chega de achar que isso é normal
Não é uma guerra dos sexos,
não é em torno do seu pau
Eu não odeio os homens,
mas comecei a me amar mais.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Sobre paus e buracos


 "O buraco nem é seu,
 tá se importando porquê?" 

Tentou argumentar 
o animal racional 
encoxando a moça
 que desembarcou antes da Paraíso, 
apenas para se livrar do tarado.

 O vagão estava lotado,
 então o ensaciado achou suave
 Roçar seu membro escroto
 no corpo dela.

Tanto faz se donzela ou meretriz,
 Ninguém pode se aproveitar
 sem consentimento 

Respeito e vergonha na cara, 
poupariam nossos ouvidos
 de serem tratados como lixo
 para comentários esdrúxulos 

De um ser sem escrúpulos 
que por causa do pelo na cara
 Precisa mostrar que tem um pinto
 Cospe sua masculinidade

 Age com boçalidade:
mete a mão no que não é seu,
 Impõe seu tesão e desejo

 Cria versos que dão nojo 
Exibindo sua cueca cheia
 movida por uma cabeça vazia 

Ser santa ou vadia
 não está no tamanho do meu shorts
 no decote da Joana,
 nas minis-saias das Marias, 
nas bundas pretas, brancas ou amarelas 

Todas pernas, Elas
 têm o direito de escolher 
pra quem estão abertas.

Não adianta seu pau subir 
se o buraco não quer te sentir.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Aos homens de bens

Eu não mordo a fronha, 
só babo falo, mas preciso dizer 
que sinto vergonha em pertencer 
a esse gênero tão efêmero e mal resolvido 
que tem medo de ser confundido 
se abraçar ou beijar um indivíduo. 

Educado para valorizar o umbigo, 
diz farsas e não diz eu te amo a um amigo. 
Nega que ganha privilégios de graça, 
vê na força da mulher uma ameaça 
e na homossexualidade um perigo, 
e após lerem esse poema 
por certo arrumarão problema comigo. 

Não ligo, 
que façam barulho. 

Essa ostentação do caralho 
não é motivo de orgulho, 
pelo contrário, 
fomos criados para agir feito otários 
e reproduzir comentários 
de machos que se dizem alpha, 
exaltando uma virilidade beta. 
Uma gama de imbecilidades 
que na realidade mostra 
o que muita gente enrustidamente gosta. 

Espero que a morte (sem piedade) 
com toda sua feminilidade, 
abrace os que se julgam do sexo forte 
pra abusar sexualmente 
ou simplesmente se aproveitar de uma situação 
dentro de um vagão lotado. 

Um deputado propôs como solução 
isolar todas as mulheres 
e assim evitar confusão. 
Existe, porém, 
com relação a esse trem, 
também outra questão 
(que vai acabar caindo no vão): 
a legitimação desse apetite do Cão. 

Até quando vamos rezar a cartilha 
de que somos parte duma matilha 
que só faz expelir escarro? 

“Seja homem você também: 
exercite sua virilidade, 
largue essa pilha de louça, 
isso é responsa das moças. 
Saia pela cidade para fazer alvoroço. 
Acenda seu próprio cigarro. 
Ponha o braço pra fora do carro. 
Dirija como um piloto. 
Haja feito um escroto ao ver passar uma mulher. 
Finja realmente saber o que ela provavelmente não quer.” 

Fomos doutrinados assim, 
a enxergá-las como um pedaço de acém 
e assobiar como quem diz “vem”, 
mas cá pra nós, 
isso nunca rendeu nada a mim 
e acredito que a ninguém. 

Reproduzimos por ignorância, 
sem dar importância a essa arrogância 
que as provocam ânsia 
e faz com que mantenham distância 
por terem ciência que é a essência 
do que chamam de paumolecência. 

Quantas vezes nos pegamos 
exaltando que não vomitamos, 
que nunca, jamais, brochamos, 
que nós podemos trair 
já elas tem que se dar ao respeito 
não podem beber até cair 
pois nós tiraremos proveito. 

Escondemos sentimentos 
e optamos por mentir 
a confessar que amamos, 
choramos e esperneamos feito jumentos 
o fim de um relacionamento. 

Nessa busca por ser o mais gostoso 
vence o maior mentiroso, 
seja por ter comido mais mina 
ou gozado uma, dua, três
sem sair de cima. 

Volte Espertirina,
saque desse buque vistoso 
seu poderoso explosivo 
e o atire contra nós, homens nocivos, 
ditos de família, 
que temem ter filhas
ou filhos que usem rosa 

E traem suas esposas 
(uma vez por semana), 
com garotas de programa 
que, por não desfrutarem da nossa regalia, 
são chamadas de vadia, 
quando na realidade, 
vinte e quatro horas por dia 
são pessoas de verdade. 

Diferente dos meus demais, 
que quando convém, 
são homens de bem, 
quando não, são animais.