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quinta-feira, 11 de abril de 2013

O primeiro filho desse blog - Embrionários versos revolucionários


Embrionários versos revolucionários

Autor:
Thiago Peixoto
Diagramação: Carol Araujo
Ilustrações: Carol Araujo, Cristhian Herman e Pedro Paulo Vieira Duarte.
Páginas: 137
ISBN: 978-85-62585-04-3
Valor: 20 reais (mais custo de correio)
Editora: Conecta Brasil

Desde sempre que a Poesia existe, muito antes até da palavra, as pessoas querem saber a sua serventia. Em seu primeiro livro, o poeta Thiago Peixoto "dichava" o enigma — “A poesia é algo que (não) se (D)escreve”. Apesar de nos seus versos, como vocês irão ler, ele a descrever muito bem.

De linguagem simples e direta, seus poemas andam pelas páginas como um bom malandro anda pelas ruas escuras, atento, sem desprezar as surpresas da madrugada. Assim como em seus poemas ‘Fé com leite’ e ‘Carma’, ou quando sua poesia pede perdão em seu lirismo de ‘Peixinho’.

Poeta ativista, Thiago também é alguém que não toma água potável no conforto do lar, ele busca na fonte, onde vivem as incertezas da vida, oráculo dos escritores.

‘Cúmplices de Sangue’, da palavra que não cabe no m², ele convoca justiça para os desavisados e os muitos avisados de plantão, é quando sua navalha risca o ar com a mesma agilidade em que ele prega que ‘Felicidade é sonhar’.

Na moral, se estiver a fim da mesmice, sai fora, esse livro não é o lugar.

Sergio Vaz
Vira-lata da literatura

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Coisas belas em SP


Desculpas ao Criolo 
Mas é desaforo 
Não ver amor em SP 
A cidade chora, dá pra ver 
mas se der uma chance, vai perceber 
Quanta coisa boa 
tem na terra da garoa 

Da norte à sul, 
do Palestra ao Pacaembú 
Arranha-céus, multidões, 
faróis e buzinas 
E é da sua cor cinza 
que rabisco minhas rimas 
Se em Caetano tocou o coração 
em mim acordou a poetisa 

Não fecho os olhos para os problemas 
que gritam por clemência 
Pra um sistema surdo, 
cego e injusto 
Que tira sopão e impede sarau 
Como se liberdade e respeito 
Não fosse um direito legal 

Adoniran cantou sua maloca 
Racionais falou do Capão 
Independente da canção 
São Paulo foi a inspiração 
Sérgio Vaz fez a Cooperifa 
E boteco agora é centro de cultura, 
 todos sobem o morro 
para falar de literatura 

Busco sua beleza 
Pra lembrar a mim mesma 
Que tudo tem lado bom 
e independente da corrupção, 
sujeira e destruição 
Ainda há esperança no meu coração! 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Cooperifa


É quarta-feira 
Subo a ladeira 
Tem hora que enguiça 
Dá até uma preguiça 
Chegar na Cooperifa 
Suor pingando 
Coração saltando 
Cumprimento os manos 
E vou entrando 
Lugar mais esquisito 
De gentinha 
e gentalha 
Que sem dinheiro ou migalha 
Construiu seu partido 
Armados de poemas 
Atirando com palavras 
Essa gente é danada 
E lá do fundo de seu buraco 
Esqueceu-se que era ignorada 
Buscou o seu espaço 
Dominou toda a quebrada 
Hoje é até televisionada 
E todos querem conhecer 
Aqueles que não esperaram 
Fizeram acontecer

terça-feira, 5 de junho de 2012

Desprendimento


Em preto e branco 
Seguram minhas mãos 
O instante de alegria, congelado 
onde vejo-me abraçado 
ao meu mais antigo amor. 

Lembro, no meu passado, 
Ele sempre predominou 
O conheci antes da vida 
Na barrigada ainda 
Quando de lá ouvia: gool 

Nesse retrato vejo 
São sim outros tempos 
Mas o mundo não, é o mesmo 
As lágrimas de ontem, ainda caem 
Quando não, se escondem 
Em sorrisos que mal saem 

Com alguma inteligência 
Minhas mãos calejadas, 
se educaram a transformar 
O mundo todo em palavras 
As quais aprendi a amar 
Com elas aprendi a ler 
A saber sobre o que falar 
Permitiu a mim conhecer 
Através de um desconhecido olhar. 

O circo arranca sorrisos 
Acalanta o cego coração 
Que só leva prejuízo 
Nessa vida de desilusão 

Onde pouco se dorme 
Trabalhar é a recompensa 
O pão que disfarça a fome 
Enche, mas nada sustenta. 

São tantas ideias famintas 
por alimento e conhecimento 
Vagando como espíritos 
Que engana-se quem pensa 
Que o povo se contenta 
Apenas com pão e circo. 

Por isso hoje celebro 
O meu desprendimento 
Tenho dois grandes amores 
E ambos moram aqui dentro 
Timão na libertadores 
Acelera sim o meu peito 
Mas quarta-feira tem Cooperifa 
A poesia venceu, não tem jeito.