O primeiro é o mais feliz
Mais desligado e folgado
Enquanto assobia da corda no dia
Não importa a estação do ano
Nem atraso lhe tira a alegria
Um doce coração prensado
Que não cabe num metro²
Um tipo inenarrável, admirável
Digno de ser amado
Sou seu irmão mais velho
Ele é pai do meu amor mais novo.
Sou o segundo
Mas o primeiro a reclamar
O que vive em outro mundo
Poeta, sonhador, vagabundo
Sempre, incansavelmente, a brincar
O que escreve seu universo
Em versos um tanto dispersos
Que tentam lhe decifrar
Voz da Apologia
Pratica liberdade e cidadania
Servindo à poesia.
A terceira é Anna
Com dois enes mesmo
Nome e fardo de santa,
De memória perdida, a esmo
Pequenina menina giganta
Que na infância me enchia de beijo
Com o poder de sua garganta
Que em minha volta faz cortejo
A tristeza e o silêncio espanta
Companheira, hermana, amiga
Anexo da minha vida
Que sem ela estaria perdida.
A quarta de tudo está farta
Com um mundo todo pela frente
Fica constantemente de fronte pra tela
É o amor maior da gente
A mais inteligente e mais bela
Branca como a neve,
Princesa da pá virada
Sabe o que quer da vida
É livre, decidida e emancipada
Nasceu com o verão
Transformou-se num mulherão
Um avião de ouro, meu maior tesouro.
Eu sou um tanto deles
Eles um pouco me são
Amigos, parceiros
Cúmplices, companheiros
Amor verdadeiro de irmão.