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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Aquarela paulistana

No sinal vermelho 
o sangue azul 
vê um ser transparente
Branco de fome
Roxo de frio
Antes do verde 
A mão preta se abre 
O sorriso amarelo também 
O vidro fume se fecha 
A cidade cinza diz: Amém!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Virada



Na virada que não se via
 O silêncio gritava
 Não pedia socorro 
Não era fome, nem sono
 Humanos que deixaram os seres 
Tão vazios e perdidos
 Escondidos pelos risos da Sé
 Silenciados pela música do Gil
 Eram ignorados, mas não despercebidos 
Ignorados, não despercebidos
 Silenciados pela música do Gil
 Escondidos pelos risos da Sé
Tão vazios e perdidos 
Humanos que deixaram os seres 
Não era fome, nem sono
 Não pedia socorro 
O silêncio gritava
 Na virada que não se via

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Na memória


Eu lembro perfeitamente 
De cada noite ao lado dela 
Da primeira, sonhando o amor 
À última, sofrendo com a dor 
Lembro perfeitamente 
Das loucuras, aventuras 
Inúmeras as quais vivemos. 
Lembro daquele perfume 
Pedindo pra eu respirá-la 
E do calafrio nas juntas 
Quando em sua nuca 
Minha barba roçava. 
Faz um tempo, eu lembro 
Como sorríamos sem parar 
Olhávamos um para o outro 
As pupilas chegavam a brilhar 
Formávamos um belo par 
E dançamos bastante, 
com a vida a nos guiar 
Por incompreensíveis caminhos 
Que nunca iremos decifrar. 
Hoje, com tanto tempo passado, 
Tranquilo, peito cicatrizado, 
Feliz e a espera de ser amado, 
De tudo posso me lembrar 
E recordarei quando houver precisão 
Pois ficou bem guardado 
No vão do meu coração 
Memórias que ensinaram 
A mim essa lição: 
Os momentos são inesquecíveis 
As pessoas não.