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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

atemporal


disseram que ele reagiu, 
a polícia viu. 
menos um qualquer para as estatísticas. 

tava escuro, 
não parou quando deram voz de prisão 
morreu sem dar explicação. 

sua mulher e sua filha, 
dormindo, sonharam com ele, 
se despediram brincando. 

demorou dois dias 
para que o corpo fosse encontrado num IML, 
do outro lado da cidade. 

confirmar a perda 
é mais difícil que ganhar alguma coisa. 
desfigurado, doeu de novo. 

a família enterrou, 
chora todos os dias 
e ainda espera por justiça. 

pior que viver sem José Aparecido dos Anjos, 
foi se adaptar a impunidade 
dos homens com direito de matar.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

T(r)emer

Tenho medo da solidão
e do silêncio que vem dela

Tenho medo de escuro
não da chuva, mas do barulho
não da morte, mas do inseguro

Tenho medo do desconhecido,
não do novo, mas do não saber
não de me machucar, mas de sofrer

Tenho medo de partir
e não voltar
E de ficar
sem ir a nenhum lugar

Tenho medo da perda
e do vazio que a acompanha

Tenho medo da violência
não da arma, mas do homem
não de viver, mas de sobreviver

Tenho medo da guerra,
não da raiva, mas do ódio
não da mentira, mas da falsidade

Tenho medo do bandido,
da polícia e de todos que fazem maldade
De políticos corruptos 
e criminosos de gravata

Mas principalmente,
tenho medo de não mais temer
e um dia esquecer
Como é bom meus medos vencer!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Desagradável companhia

Desconhecida certeza humana 
Às vezes engana 
Um medo que carrego 
O maior, não nego 
Batalha que já perdi 
No dia que nasci 
Momento em que decidi
nesse jogo entrar
Mesmo se ela insistir 
não será fácil me levar 
Ignorarei sua presença 
até quando trouxer-me ausência 
Sem mágoas, 
aceitarei cada sentença 
Fizemos um trato 
Eu finjo que não a vejo 
Ela finge que não me nota 
Mas sei que esse trato 
ela ainda há de quebrar 
Oh Morte,
ingrata 
Não tenha pressa 
em me buscar

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Inóspito lado de lá

Fatalmente desconhecida
Imprevisível partida
Caminho só de ida
Irreversível guarida
Não há quem resista
Ou lá quem exista
O incerto que mais assusta
Do mundo certeza única
O tempo nunca saberá
Mas todos irão visitar
Seja por azar,
acaso ou sorte
Não tenha pressa em me buscar
Indesejável morte.