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quinta-feira, 17 de março de 2011

Contraditório?

Sou a contradição em pessoa 
Posso apontar-te o dedo 
E condenar-te por seus erros 
Mas logo meu coração perdoa 
Mesmo que guarde em segredo 
Um medo que o corroa. 

Me custa tomar uma decisão 
Odeio dizer um 'não' 
Pois tenho certa sensação 
Que num futuro próximo 
Sem um menor prognóstico 
Mudarei de opinião 
Então convivo com a indecisão 
Por medo de ter que abrir mão. 

Com o ‘sim’ tenho mais facilidade 
Pois soma à minha realidade 
E se um dia eu vier achar 
Que de opinião devo mudar 
Basta abrir mão do que já pude experimentar 
Obviamente, para ser coerente 
Com a pulga trás da orelha ei de ficar 
É menor porém a sensação a me incomodar 

A incerteza 
É a única sentença 
Dentro minha cabeça. 
Nunca sabemos ao certo 
Hoje sei que te quero 
E a vida toda te espero. 
Mas amanhã 
Tudo me soa en passant 
Então me pego de lero 
Com a primeira a dar bobeira 
Ao som do bolero. 

“Mal de geminiano” 
Lembro de alguém falando 
Não sei quem foi o fulano 
Mas o dei razão, na ocasião. 
Hoje, porém, melhor pensando 
Vejo que fui leviano 
Como levar fé em tal engano? 
Os astros vivem inventando 
Quem dirá esse senhor 
Que se quer lembro a cor. 

Enfim, vou levando 
Sem buscar razão 
Pois não há explicação 
Como vinha falando 
Sou a contradição...

segunda-feira, 14 de março de 2011

À Poesia

A poesia em mim
Não tem dia pra vir
Nem tão pouco avisa
O pensamento desliza
E ao primeiro verso
Já me pego disperso
De uma vez é cuspida

Retrata um momento
Que muitas vezes não compreendo
Serve-me de guia, vou lendo
E então me entendo

Diz o que senti
Retrata algo que vi ou vivi
Mas também coisas que inventei
Se perguntar-me a razão
De onde tirei tamanha imaginação
Te responderei: não sei

A poesia pra mim
É meio que assim
Uma válvula de escape
De arremate, põem fim
tudo que me angustia
Simultaneamente

Extasia e me esvazia


Faz minha mente,
Nunca contente com o presente
Dar ao passado,
Vida em outra guarida
Mesmo que temporariamente.
E apesar de mal apagado,
Ele fica de lado, 
ali guardado
Ao menos enquanto é escrita.

A poesia em mim
Vem da admiração sem fim
Por compositores Tupiniquins
Como Chico, Vinícius e Tom Jobim
Mas que começou, lá traz
Com Raul, Gabriel e Racionais
Passou por Yuka, Bill, D2 e Sciense
Verdade, intensidade e criatividade
É o que me satisfaz
Apenas isso e nada mais


Fale de amor, guerra ou de paz
Como as pedras de Sergio Vaz
Que em São Paulo hoje faz
O Itaim vir à periferia atrás
De ouvir e fazer poesia
Sem guerra, só alegria
Sem preconceito, medo ou fobia

Em suma Poesia é a vida
De alguns, muitos, loucos
Que por alguns, outros, poucos
É muito bem descrita.

*Dia da Poesia